A Convenção internacional da ONU, sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências, ratificada pelo Brasil com estatos Constitucional pelo decreto  legislativo nº 186/2008, reconhece e regulamenta a idéia da participação a tiva das pessoas com deficiência nas decisões acerca deste segmento de  pessoas. É a tradução da máxima “nada sobre nós, sem nós”.

Porém, ao meu ver, um dos fatores que limitam o nosso crescimento participativo na construção de uma realidade mais justa e igualitária, é nossa própria  dificuldade de compreender que algo precisa ser feito e que os agentes principais deste trabalho somos nós mesmos.

Há algum tempo, iniciei minha participação nas críticas e questionamentos direcionados ao projeto Dosvox, mantido pelo NCE/UFRJ e coordenado pelo  professor José Antonio dos Santos Borges, o que gerou minha expulsão sumária das listas de discussões relativas a aquele projeto e, mais tarde, uma  acusação de preconceito a uma funcionária do projeto que profere palestras totalmente incompreensíveis e sem nenhum recurso auxiliar,  por ter paralisia cerebral e comprometimento sério na fala.

Ainda assim, alguns questionamentos foram direcionados a ouvidoria da UFRJ, o que gerou uma resposta do professor Antonio Borges, onde ele afirmava,  dentre outras coisas, que a grande maioria dos cegos não têm qualificação profissional e que o dosvox não poderia evoluir devido a existência de um  acordo de cavalheiros junto a Micropower, empresa privada que desenvolve um precário leitor de telas. O desenrolar dessa história e as afirmações do  coordenador do projeto dosvox podem ser consultadas no próprio site da ouvidoria daquela Universidade, sob o protocolo 106.156.961.130, no link http://www.ouvidoria.ufrj.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=3

O

tempo passou e absolutamente nada mudou, ainda que grande parte da comunidade tenha, a época, se indignado com tais afirmações. Todas as cartas relativas a tais questionamentos foram, como sempre o são, totalmente ignoradas pelos funcionários do NCE, notadamente pelos que trabalham diretamente no projeto Dosvox.

Recentemente, no dia 27 de Agosto de 2011, foi apresentado um leitor de telas livre, denominado de Liane TTS, desenvolvido pelas instituições Serpro e UFRJ. Cabe esclarecer que Liane TTS nada mais é do que um sintetizador de voz (e não um leitor de telas), e o leitor que acompanha o sintetizador no pacote distribuído pelo Cerpro, nada mais é do que o NVDA, projeto livre e de código aberto, com sintetizadores bastante superiores ao Liane TTS, que, aliás, já é distribuído com o pacote Dosvox há mais de 3 anos e sempre foi alvo de críticas dos usuários, por ter uma péssima qualidade de voz.

Esta ferramenta, lançada pelo Cerpro em conjunto com a UFRJ (mesmo núcleo que lança ideologias acerca do Dosvox), está sendo divulgada pela imprensa como a salvação das pessoas cegas de todo o mundo: Algo revolucionário que vem modificar para melhor a vida destes pobres coitados, que agora poderão contar com um leitor de telas para, dentre outras coisas, acessar os sites do governo Brasileiro.

Volto a destacar que Liane TTS é um sintetizador de péssima qualidade, e que utiliza o NVDA, um leitor de telas opensource, produzido fora do Brasil e que vem crescendo muito. Em outras palavras, o Sr. Antonio Borges construiu uma ferramenta precária, implementou em outra ferramenta que já existe e que tem sido alvo de elogios pela comunidade de usuários cegos, e está ganhando promoção de sua imagem e outras vantagens com tal façanha.

Rui Batista, um notável programador português, publicou um artigo onde explica e questiona este contexto de forma minuciosa. Dessa vez, Antonio Borges respondeu, com o mesmo romantismo marketeiro de sempre. Não respondeu, objetivamente, a nenhuma das questões propostas pelo Rui. Não explicou como é que o nome do leitor NVDA não aparece em nenhuma publicação referente ao Liane TTS, fazendo entender que o Liane TTS é o próprio leitor de telas e omitindo qualquer menção ao NVDA.

Na resposta, Antonio afirma que LianeTTS é um dos primeiros frutos da parceria entre NCE/UFRJ e Cerpro. O perigo ronda não só pela existência da falsa propaganda acerca do LianeTTS, como também sobre a possibilidade de vir futuras falácias e “produtos” que, na prática, são contraproducentes e caminham em sentido contrário a real inclusão das pessoas com deficiência visual.

Antonio afirma ainda que o LianeTTS “foi construído, baseado na técnica de junção de difones, que é uma das mais simples”. Os valores recebidos pelo NCE para a produção do LianeTTS foram tão ínfimos a ponto de se utilizar uma tecnologia “das mais simples” para se produzir um sintetizador de voz?

Antonio insiste em reafirmar que “Os sintetizadores de voz, como o LianeTTS, sim, viabilizam o uso dos computadores por deficientes visuais, assim como as linhas braille(…)”, mas se já existem opções muito melhores e livres, para que gastar o dinheiro público produzindo algo que o próprio Antonio afirma ser “das mais simples”? Estas perguntas não foram respondidas na romântica carta publicada como “resposta” aos comentários do Rui Batista, e que, na prática, não respondeu nada…

A ONCB, órgão de representação máxima da pessoa cega, foi provocada por uma outra usuária – com título de doutora, diga-se de passagem- sobre o tema e infelizmente ainda não se manifestou a respeito.

Desconheço se algum usuário com deficiência visual e de razoáveis conhecimentos na informática foi consultado acerca deste “fruto” da parceria entre Cerpro e NCE/UFRJ. Também não sei se o presidente do Cerpro, que tem dado diversas entrevistas ressaltando o incrível milagre que o LianeTTS vem trazer a vida dos usuários cegos, tem conhecimento profundo desse contexto.

O que sei é que só nós podemos mudar isso. Nós, e apenas nós, podemos divulgar a realidade sobre mais essa “produção” que traz mais prejuízos a imagem da pessoa cega do que benefícios reais de utilização das tecnologias computacionais.

Estas pessoas só estão levando vantagem as nossas custas porque nós permitimos que elas permaneçam lá.

 

Link para o artigo publicado por Rui Batista: http://www.megatts.com/2011/10/02/liane-tts-apenas-mais-um-sintetizador-de-voz/

Link para o artigo de Joana Belarmino: http://www.blogtecnovisao.com/2011/10/liane-tts-minha-replica-ao-seu-criador-antonio-borges/

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Diniz em 13/09/11

Ao ler a notícia do link abaixo, sobre as inovações do Windows8, comecei a pensar no quão nós, pessoas com deficiência visual, perdemos quando um sistema é atualizado. Veja a notícia aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/tec/974515-microsoft-apresenta-o-windows-8-que-troca-icones-por-azulejos.shtml

Antes de mais nada, geralmente não podemos utilizar um sistema imediatamente quando é lançado. Primeiro, temos que aguardar nossos leitores de tela serem devidamente atualizados para se compatibilizarem ao sistema em questão, o que pode levar meses. Quando isso acontece, ainda restam diversas falhas e conflitos que são mais ou menos resolvidos com o passar do tempo. No fim das contas, até que consigamos utilizar o sistema novo com a mesma efetividade que utilizávamos o antigo, vai um ano ou mais.
Outro ponto o qual muito me preocupa é o fato de que a informática está se tornando cada vez mais gráfica. Imagens e gestos substituindo palavras e texto escrito. Toques com o dedo substituem o pressionar de teclas, e ainda que isso facilite e agilize muito a vida do usuário vidente, não ocorre da mesma forma com relação a um usuário cego.
Os dispositivos da Apple, por exemplo, que oferecem grande acessibilidade através do voiceover, tornou a interação com o computador um pouco mais lenta. Preciso de 25% de tempo a mais no Macbook para fazer uma mesma tarefa que faço no PC. E pelo que pude ler na matéria acima, o Windows8 está indo pelo mesmo caminho.
Conseguiremos acompanhar, não tenho dúvidas. Mas o esforço deverá ser cada vez maior e consistente. O que antes eu aprendia em uma dezena de minutos, hoje preciso de meia hora ou mais para absorver, dado o excessivo número de informações e opções na tela.
Tudo em nome do progresso.

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Rosa Santos, designer, fotógrafa, artista e, acima de tudo, pessoa com uma sensibilidade ímpar.

Foi dela a idéia de desenvolver um vídeo com audiodescrição. E eu, que no início achava que audiodescrição nem poderia ser feita por pessoa cega, fui me convencendo, aos poucos, e através de todo o empenho e paciência da Rosa. Foi nesse contexto que começamos a conversar sobre a idéia do vídeo.

Rosa escolheu uma fotografia de sua própria autoria, intitulada Mulheres. A intenção da foto e do vídeo é retratar a violência contra a mulher, notadamente a violência doméstica.

É claro que eu não poderia fazer a locução sozinho. A variedade de vozes é um atrativo em tudo o que ouvimos. Além disso, um toque feminino é sempre agradável aos nossos ouvidos. Então participou também dos trabalhos a minha esposa, Vanilda, que ofereceu mais encanto às locuções.

Foi um trabalho desenvolvido em equipe e a distância. Rosa em Cascavel/PR e nós aqui em Curitiba/PR. Tudo via internet. Troca de arquivos e idéias por e-mail e o resultado você pode acessar clicando no link abaixo.

Videoarte com audiodescrição – Uma experiência audiovisual entre amigos.

Foi uma experiência mágica. Certamente um dos trabalhos mais gratificantes que participei. Obrigado Rosa, obrigado Vanilda, e que venham os próximos vídeos com AD!

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Essa coisa do olhar sempre me deixou muito inseguro. Talvez por eu não enxergar. Pois é.

Adentrando ao elevador. Algumas pessoas já lá dentro.
- Oi, tudo bem?
- Tudo certo – Respondi.
- E aí, como foi a prova? – Perguntava-me um desconhecido.
- Foi meio complicada, alguns elementos que eu não conhecia. – Completei, já que havia acabado de me submeter a uma avaliação no curso de inglês e o elevador pretendia me levar ao térreo.
Um sorriso meio sem graça e a viagem continuou silenciosa.
Chegamos ao térreo, fui o primeiro a sair do elevador, já que estava mais próximo a porta. Me despedi e, passos a diante, pude ouvir o mesmo
rapaz perguntar a outro colega:
- E aí, me conta! Como foi a prova?
- Putz! Então a pergunta anterior não era pra mim? – Constatei constrangido e só tive tempo de apressar o passo.

O narrado acima ilustra uma situação que acontece diariamente com algumas pessoas com deficiência visual. Alguns amigos cegos até conseguem perceber quando alguém está falando com eles ou não. Eu nunca entendi muito bem como isso funciona. Já conversei com muita gente, mas o que todos dizem é que isso é uma questão de “feeling”.

Uma pessoa vidente (termo utilizado para designar aquele que vê normalmente) consegue, através do olhar, perceber diversas nuances. Acredito que o olhar expressa muita coisa. Expressões que perdemos, enquanto pessoas cegas. Claro que algumas dessas expressões, conseguimos ter acesso por outras vias, como tom de voz e outros aspéctos que nos permitem avaliar o contexto. Mas há coisas que só se percebe através do olhar, como por exemplo, para onde uma pessoa dirige o olhar quando fala.

E até que eu consiga adquirir esse “feeling” de perceber quando alguém está falando comigo ou não, continuo respondendo a maioria, a final, melhor pagar mico do que bancar o mal educado.

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Há algum tempo venho protelando em escrever sobre essa questão, que é um tanto polêmica.  Principalmente, porque poderão apontar receio de concorrência, da minha parte, ou apenas  defeitos visuais em minha própria página. Assim, antes de ir direto ao ponto, devo colocar  alguns esclarecimentos.

Primeiramente, o Mundocegal não existe para concorrer com ninguém, mas sim, para somar. Tanto  que temos parcerias com diversos sites/blogs do gênero e estamos sempre abertos a  novas  junções.

Em segundo lugar, O portal é desenvolvido exclusivamente por mim, pessoa com baixa visão, de  maneira que só posso conhecer determinadas incongruências visuais se alguém me avisar. Os  equívocos que posso detectar são imediatamente corrigidos. Aqueles os quais requerem uma visão  mais apurada, infelizmente só poderei corrigir quando contar com a gentileza de algum  apontamento. Por isso, se você, pessoa vidente,, se deparar com alguma  questão estética que achar estranha, feia ou incongruente, sinta-se a vontade para me oferecer  uma dica.

Uma das preocupações ao desenvolver um site deve ser sua boa aparência. Ainda que falamos em sites voltados para pessoas com deficiência visual, como é o caso do Mundocegal, a estética não pode ser deixada de lado, sob pena de uma pessoa com visão visitar e julgar o conteúdo pela  aparência. Quando inserimos algo na internet, devemos ter em mente que aquilo pode ser visto  por qualquer pessoa, de qualquer gênero, em qualquer lugar.

Nos últimos 2 ou 3 anos, diversos sites de e para pessoas cegas foram colocados no ar, sem a  menor preocupação com a estética. Alguns não se preocupam inclusive com a ortografia do  conteúdo inserido. Ressalto que a preocupação com tais questões não quer dizer perfeição nelas.  Estou constantemente revisando o conteúdo do blog e do Mundocegal afim de melhorar sua forma e  visibilidade. Os erros sempre estão presentes e o esforço para manter as mínimas condições de  organização é constante.

Certamente, falta comprometimento por parte dessas pessoas, que até gostam de  informática, conhecem um pouquinho de HTML e desejam muito ter um site no ar. O que elas não  sabem, é que há uma diferença entre simplesmente querer ter um site e disponibilizar  conteúdo que realmente atenda as necessidades dos visitantes.

Antes de se colocar um portal sério no ar, é preciso conhecer no mínimo a linguagem HTML, um  pouco de PHP ou ASP, dependendo da estrutura a que se quer utilizar, folhas de estilos CSS, a  final a a aparência das páginas tem fundamental importância e, por fim, as principais normas de  acessibilidade do W3C. Quanto aos blogs, nada disso é necessário, já que tudo é automatizado e basta configurar e inserir as postagens.

Já me deparei com sites desenvolvidos por pessoas cegas onde era possível encontrar, na própria  página, visível aos olhos ou leitores de tela dos visitantes, pedaços de códigos em HTML. Ou  seja, a falta de preocupação com a organização da página é tamanha, que sequer houve uma  revisão do que foi colocado no ar.

Quando estes ditos desenvolvedores recebem alguma crítica, seja pela organização de seus  “sites”, seja pela repetição de conteúdo que colocam no ar, encaram como uma agreção ou afronta  a um trabalho que acreditam ser útil para outras pessoas. Ocorre, porém, que nossas atitudes  refletem na maneira com que a sociedade encara uma pessoa com alguma deficiência. Se fulano com  deficiência visual enviar um currículo pleiteando vaga de desenvolvedor web em uma empresa, por  exemplo, e seu futuro contratante pesquisar na internet como é um site desenvolvido por uma  pessoa cega e encontrar uma página dessas, com erros grosseiros de português, pedaços de  códigos de programação e demais equívocos, vai pensar duas, três ou quatro vezes antes de  contratar o fulano, que pode até ser um desenvolvedor sério e comprometido. Ou seja, as  atitudes de uma pessoa cega se refletem na maneira com a qual todas as pessoas cegas são  vistas, porque a sociedade infelizmente generaliza, exagera e ainda há muito preconceito a ser  eliminado.

Lamento muito que a vaidade fale mais alto, vez que o desejo de ter um site no ar acaba  superando a preocupação com os elementos básicos de um portal, quais sejam, sua aparência,  organização e o conteúdo inserido. Não acredito que tais sites devam ser retirados do ar, mas  acho, sim, que determinados “webmasters” devam ser conscientizados sobre a importância de se publicar  algo organizado e aparentemente agradável.

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Diniz em 03/02/11

Caixas eletrônicos acessíveis

Já há algum tempo ouço falar dos tais caixas eletrônicos acessíveis, onde basta plugar um par  de fones de ouvido para que a tela seja desligada e a pessoa com deficiência visual possa ouvir os menus e interagir com o sistema. Eu ainda não havia tido a oportunidade de realizar nenhuma operação nos tais caixas, até por que, não é qualquer máquina que conta com esses recursos.
Ontem, porém, precisei fazer um saque e pagar alguns boletos, mas quando cheguei na agência, fui informado de que ela estava fechada. Os vigilantes da Caixa Econômica estavam em greve e ninguém, exceto os funcionários, podiam entrar na agência. O gerente, então, gentilmente veio até a porta e sugeriu que eu utilizasse o caixa acessível. Me informou que naquele posto de atendimento já tinha uma máquina com acessibilidade.
- Finalmente eu iria ver “como isso funciona”.
Maravilha: Me dirigi até a máquina, pluguei os meus fones e já recebi as boas vindas em áudio. Em seguida, foi solicitado que eu colocasse o cartão, depois aquele conhecido aviso de que não deveria repassar minha senha a ninguém pois esta é pessoal e intransferível. Digitei a senha e já me foi apresentado o menu, cuja opção “1″ era para saques. Pressionei rapidamente o número “1″, escolhi o valor, digitei minha senha de letras e logo o dinheiro já saía pela parte frontal do caixa.
- Que emoção! Fiz meu primeiro saque sem o auxílio de ninguém.
Agora só faltava pagar os tais boletos. Reiniciei a operação: Coloquei o cartão, ouvi os avisos, digitei a senha e comecei a ouvir as opções do menu. 1 para saque, 2 para saldos, 3 para extrato, 4 para transferência e 9 para cancelar. Espera! 9 para cancelar? Mas e o pagamento? E as demais operações que podem ser feitas no caixa eletrônico, como recarga de celular e tantas outras?
- Deve haver algum problema com a máquina. Vou cancelar tudo e refazer a operação.
Novamente no mesmo ponto: 1 para saque, 2 para saldo, 3 para extrato, 4 para transferência e 9 para cancelar. Não é possível!
A versão acessível dos caixas eletrônicos é extremamente limitada. Não pude efetuar os pagamentos que precisava fazer, nem mesmo recarregar o meu celular.

Aliás, isso acontecia também com a versão do internet banking acessível para pessoas com deficiência visual da CEF. Agora essa versão foi extinta e desde então eu não consigo acessar o internet banking, nem mesmo a versão “comum”, que eu acessava anteriormente.
De que vale essa extrutura toda, então? Tudo bem, se eu precisar fazer um saque ou consultar meu saldo, posso fazer com autonomia, apesar de ser um processo bastante demorado, devido a lentidão da voz instalada no caixa eletrônico. Mas o restante das operações, simplesmente não estão disponíveis.
Percebo que foi criada uma estrutura a que se dizia ser acessível, falou-se muito a esse respeito, gerou expectativas e, quando precisamos utilizar alguns recursos, eles simplesmente não estão disponíveis. Ou será que o banco imagina que os clientes com deficiência visual apenas efetuam saques e consultam seus respectivos saldos?
Com mais uma decepção no rosto, procurei a lotérica mais próxima e paguei meus boletos, como sempre fazia anteriormente.

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Diniz em 11/07/10

A segunda edição da exposição “Poesia Fotografada 2010″, estará presente no Segundo Seminário da Cultura de Artes Regionais, em Corbélia, PR, do dia 13 até 16 de julho. O seminário inicia no dia 12 e termina dia 16 de julho. Para mais informações sobre o seminário veja o site, http://educulturacorb.hd1.com.br

Rosa Santos. Uma experimentadora da arte.
Cascavel -PR .

Esta exposição usa recursos de acessibilidade (textos em braille e sinalização tátil vertical).

Com o espetáculo intitulado “Ceguinho é a Mãe”, o humorista Geraldo Magela e seu humor peculiar, ficou conhecido no Brasil. Inspiro-me nesta frase, para falar da necessidade de mudanças onde ainda se faz necessário, falo da acessibilidade na comunicação e na arte, e falo sem muita propriedade, mas porque também estou experimentando. Ora, acessível é muita coisa, e é. Achamos tão bom ter acesso ao que queremos, não é? Pois saibam, melhor ainda é tornar a sua arte e sua informação acessível para todas as pessoas.

Site do Geraldo Magela: http://www.ceguinho.com.br
Blog de Rosa Santos: http://asartesdarosa.blogspot.com
Alguns sites sobre acessibilidade e com acessibilidade digital: http://blogdaaudiodescricao.blogspot.com
http://www.bengalalegal.com
http://www.mundocegal.com.br
http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br
Agradecimentos:
Ao André Boniatti pelo convite e oportunidade.
Ao CAP Municipal de Cascavel, Coordenadora Sra. Luzia Alves da Silva e Cintia Passos Alves, pela generosidade na transcrição dos textos para o sistema Braille. À você que será mais um divulgador da arte com acessibilidade, um direito de todos!

Muitos defendem a idéia de que a incorporação da Venezuela ao MERCOSUL seria arriscada para a sobrevivência do bloco, pois a lenta, gradual e segura escalada autoritária chavista, põe em xeque a manutenção da “cláusula democrática” do Mercosul, segundo a qual não se tolerará o rompimento com a democracia nos países membros.

O protocolo de Ushuaia, em seu artigo 1, estabelece que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente protocolo”. Tal acordo foi resultado da percepção de perigo suscitada pela malograda tentativa paraguaia de um golpe de Estado. Era preciso demonstrar aos líderes políticos que novas aventuras autoritárias não seriam aceitas, pois acarretariam a perda dos benefícios econômicos que a integração com os demais Estados proporciona.

É em função dessa cautela que surgiram as principais resistências ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Se ao fim e ao cabo a gradual e dúbia escalada autoritária de Hugo Chávez tiver como fim um regime autoritário, o Mercosul correrá grande risco de desmoralização. A primeira razão para isto é que, em função do próprio caráter paulatino do recrudescimento autoritário venezuelano, restará difícil aos líderes dos demais países membros identificar o momento da mudança autoritária, aplicando as sanções previstas em Ushuaia. Por conseguinte, diferentemente do ocorrido com o Paraguai em 1996, a pressão dos demais países contra uma definitiva guinada autoritária terá que ocorrer com uma situação de fato já instalada e amplamente anunciada com bastante antecedência. Isto aumentará bastante os custos políticos para sancionar Chávez, ameaçando ferir de morte a cláusula democrática do artigo 1 do protocolo de Ushuaia.

Mesmo os membros da oposição ao governo Chavista  se posicionam favoravelmente pela entrada do país no Mercosul porque, de uma maneira ou de outra, isto aumentará a pressão externa sobre Chaves para que limite sua escalada autoritária. O outro lado dessa equação, entretanto, indica que o preço de limitar Chávez será pago pelo próprio MERCOSUL, como bloco, inclusive, já bastante combalido.

Não se pode ignorar que existem lacunas  referentes ao conceito de Democracia e a elasticidade da interpretação das normas, que são, inequivocamente, uma fonte do Direito. O Protocolo de Ushuaia, que refere-se a plena vigência das instituições democráticas, prevê, ainda, que, “No caso de ruptura da ordem democrática em um Estado Parte do presente Protocolo, os demais Estados Partes promoverão as consultas pertinentes entre si e com o Estado afetado.

Entre 2003 e 2005, as exportações brasileiras para a Venezuela cresceram 265%. Houve  quem defendeu que rejeitar a proposta seria ir na contramão da aproximação econômica. O país vizinho é hoje um dos principais parceiros comerciais do Brasil, com crescentes negócios.

Mas, houve também quem defendeu que o isolamento do país, gerado, dentre outras coisas, pela recusa do MERCOSUL em aceitá-lo como membro, poderia contribuir para a diminuição dos conceitos democráticos presentes naquele país. O argumento é que, não se pode considerar a Venezuela tão somente como seu atual governo, mas como uma nação que, historicamente, contribuiu para o crescimento da América Latina. Além disso, trazendo a Venezuela para o MERCOSUL, fica mais fácil incitar a democracia naquele governo.

Porém, a grande preocupação daqueles que, em virtude do crescente autoritarismo Chavista eram contrários a adesão, advém do impacto que a entrada da Venezuela poderia ter sobre o papel do Mercosul como representante dos interesses comerciais de seus membros nas negociações multilaterais. Como os países do Mercosul têm frequentemente negociado como bloco em fóruns internacionais de comércio, a acomodação de Chávez – e de suas posições heterodoxas e conflituosas, pode tornar ainda mais difícil a construção de posições unitárias e passíveis de estabelecer acordos viáveis com outros países. Por fim, o preço que o Mercosul corre o risco de pagar para evitar o isolamento da Venezuela pode ser o de isolar-se a si mesmo.

Meu entendimento pessoal é o de que a entrada da Venezuela no bloco, representa um passo importante no sentido da ampliação da democracia e dos direitos humanos na região. Concordo com a percepção de que é necessário discernir entre política de governo e política de Estado. Enquanto o governo de Hugo Cháves é passageiro, o país desponta  de maneira constante como um dos maiores produtores de petróleo no mundo, o que implica num incremento significativo nas exportações do bloco.

Resta saber se a Venezuela cumprirá todas as normas constitutivas do bloco, ou se criará embaraços que justificarão um eventual descumprimento. Certamente,  com essa adesão, o MERCOSUL tende a se tornar mais forte e capaz de competir não só com a União Européia, mas também com os países líderes da economia mundial.

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Diniz em 15/04/10

Na terça feira 13/03 tive a oportunidade de assistir, pela 1ª vez, a um filme com audiodescrição e gostaria de falar um pouco sobre essa experiência.

O recurso consiste na descrição de todas as informações que se compreende visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.

Há algumas semanas recebi um e-mail do ator e audiodescritor Leonardo Rossi, em que apresentava seu blog e um podcasting que mantém na internet. Ele me encontrou através de um amigo em comum, que indicou o Mundocegal.

Ao acessar seu podcasting,fiquei surpreso com a qualidade do trabalho que ele desenvolve. Tem uma interpretação fantástica, onde atua com segurança e domínio do que faz. Então procurei me inteirar mais acerca desse trabalho e passamos a manter contato.

Nessa troca de e-mails, ele me falou do Cinesesc, um festival com os melhores filmes do ano de 2009. Me repassou a programação onde todas as seções contavam  com audiodescrição e legendas. A Iguale foi quem desenvolveu o trabalho de audiodescrição nesse festival e, na terça, em São Paulo, ,tive a oportunidade de assistir ao filme “No Meu Lugar” onde, ,coincidentemente, o audiodescritor era justamente o Leonardo, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente.

A sensação ao assistir um filme com audiodescrição é indescritível. Uma tamanha independência nos transporta ainda mais para dentro da tela. Através do que ouvimos, seja pelo tom de voz das personagens, trilhas musicais, efeitos sonoros e outros elementos auditivos do filme, nós, com deficiência visual, conseguimos compreender muito pouco do que acontece, o que nos permite acompanhar, de maneira bastante limitada, o desenrolar de uma história, por exemplo. Já com a audiodescrição, temos acesso ao que a pessoa que enxerga está vendo na tela, o que aumenta de maneira significativa nosso nível de compreensão e acompanhamento.

Esse recurso nos oferece uma acessibilidade muito mais ampla e efetiva sobre ao que assistimos na TV,  cinema e vídeo. A Iguale e o Leonardo Rossi estão de parabéns pelo excelente trabalho.

Que a audiodescrição possa estar cada vez mais presente nos cinemas, na programação televisiva, nos DVDs e em todas as mídias!

Diniz em 15/04/10

As ideias tecnológicas podem ser interessantes e inovadoras, mas precisam ser divulgadas.

O Projeto F123.org possibilita o acesso a educação e a oportunidades de trabalho, facilitando o uso de tecnologias assistivas baseadas em software livre. As estatísticas mostram que 90% das crianças com deficiência visual, entre pessoas cegas e com baixa visão, não têm acesso à educação.

O objetivo dessa tecnologia é tornar o computador acessível para um maior número de pessoas, podendo ser usado em todo o mundo.

Todo o sistema operacional (Linux, distribuição Ubuntu) e todas as tecnologias assistivas (leitores de tela e software para acessibilidade motora) é gravado no pendrive, além de ser reservado um espaço para que o usuário possa adicionar os arquivos pessoais.

Trata-se de um pendrive bootável (inicializável) com o sistema Linux instalado. Ao ligar o computador com o pen já inserto na porta USB, o Linux é carregado, bem como todos os softwares de acessibilidade.

Dessa forma, um computador que não tem nenhum recurso de acessibilidade poderá atender às necessidades da pessoa cega sem alterar as suas configurações e sem restringir sua utilização.

Como ele é baseado inteiramennte em software livre, o DVD também pode ser copiado de maneira irrestrita, sem a preocupação com direitos autorais.

O pacote traz instalado o Open Office, que trabalha com arquivos DOC, PDF,  XLS,  PPS, e todos os principais formatos de edição de textos, imagem e apresentação. Para o uso de skype, msn e outros, podemos utilizar o pidging. Para navegar na internet, o pendrive traz o firefox. Possui também um programa chamado Samba, para acessar conteúdos que estão na rede.

Quanto a sistemas específicos de cada empresa, quando a interface é Web ou Java, existem grandes chances de funcionar. Em termos de outras interfaces, as chances de se trabalhar com plena acessibilidade são menores, caso o software tenha sido desenvolvido para o sistema Windows.

Quanto ao desenvolvimento, por ser um projeto registrado sob a licença GPL, toda a comunidade pode elaborar melhorias e implementar recursos.

Muitas pessoas com deficiência visual em países em desenvolvimento são forçadas a usar software gratuito extremamente limitado, já que uma única cópia de um leitor de tela convencional pode chegar a custar o equivalente a três ou quatro computadores.  Uma pequena minoria consegue acesso e aprende a usar softwares caros, e quando que tenta encontrar emprego ou fazer um estágio, descobre que o preço dessa tecnologia adiciona uma barreira a mais a um processo que já é difícil.  O Projeto F123.org quebra este círculo de dependência e vulnerabilidade, facilitando o acesso a tecnologias baratas e de fácil uso.

O Orka e várias outras ferramentas que compõem o pacote f123.org é desenvolvido na linguagem Python, uma linguagem de programação de alto nível, interpretada, imperativa, orientada a objetos, de tipagem dinâmica e forte. Foi lançada por Guido van Rossum em 1991. Atualmente possui um modelo de desenvolvimento comunitário, aberto e gerenciado pela organização sem fins lucrativos Python Software Foundation. Apesar de várias partes da linguagem possuírem padrões e especificações formais, a linguagem como um todo não é formalmente especificada. O padrão de fato é a implementação CPython.

Em resumo,  o Projeto F123.org disponibiliza todo o software que uma pessoa com deficiência precisa para usar um computador (incluindo sistema operacional, aplicativos, tecnologias assistivas como leitor de tela ou teclado virtual), em pendrives.  Uma pequena modificação na seqüência de inicialização do BIOS de um computador, permite que a pessoa com deficiência use praticamente qualquer computador sem a necessidade de instalar nada.  O pendrive F123.org de 2 ou mais Gigabytes é efetivamente o disco que contém tudo aquilo que o usuário precisa para navegar na Internet e trabalhar com documentos, planilhas eletrônicas, e-mails, e mensagens instantâneas.

fernando@md.org.br

fernando.botelho@f123.org

http://www.f123.org

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Em fim, foi publicada a resposta da coordenação do projeto Dosvox acerca dos questionamentos que fiz há duas semanas, com os adendos feitos pelos demais colegas. Abaixo colo alguns pontos colocados e meus comentários com asterisco.

Antes de mais nada, lamento ter que recorrer a modalidades oficiais (ouvidoria), já que temos duas listas de discussão, e-mails e vários canais de contato direto com a  equipe de desenvolvimento do Dosvox. Porém, tive de o fazer porque inúmeras questões colocadas foram simplesmente ignoradas. Manento também os vários e-mails enviados a profa. Cláudia Motta e ao Dr. Christian Chenu, sem nenhuma resposta.
Vou tentar não enrolar muito, porque a carta realmente é longa. Vamos lá:

- Recebi, com enorme surpresa, a comunicação de que o trabalho realizado sob minha coordenação há cerca de dezesseis anos, no NCE/UFRJ estava sendo objeto de questionamento, sendo a minha condução do projeto DOSVOX associada a diversos atributos extremamente depreciativos. 
* Realmente imagino que minha atitude tenha surpreendido. Recebi, ao longo desses dias, vários emails dizendo coisas do tipo “que bom que fizeste algo a que poucos tem coragem”. O fato é que muitos dos que conseguem ver as entrelinhas, tem um certo resseio, por inúmeros motivos, de questionar de maneira transparente e levar as coisas a diante. Até por que, o coordenador do projeto Dosvox tem o estranho hábito de tentar intimidar os usuários quando as coisas lhe fogem ao controle, como ocorreu, por exemplo, quando do meu banimento injustificado da lista Voxtec.

- Em adição, foram feitas referências negativas à atuação de uma funcionária do projeto que, sendo paralisada cerebral, estaria inadequada ao atendimento de usuários. 
* O fato da professora Ida Beatriz Costa Velho Mazzillo ter paralisia serebral nada tem a ver com sua capacidade de atender a contento aos usuários do projeto Dosvox. O que questionei foi a dificuldade de comunicação entre ela e os alunos do curso Tutorvox. Aliás, continuo afirmando: Sua fala INFELIZMENTE é INCOMPREENSÍVEL. Ao comunicar-se conosco, é muito mais eficaz que ela o faça de maneira escrita. É o meu ponto de vista sobre isso. Além do mais, muitos colegas cursistas me relataram também não ter conseguindo compreender o conteúdo passado oralmente pela professora Bia. Por que razão teriamos de permanecer calados a esse respeito? Se ela foi designada para tutorar esse curso, deve adaptar-se e fazer isso de uma forma que fique acessível a ela e a todos nós.

- Esta ação causou um mar de correspondência que inundou nossos servidores de listas com mais de 400 cartas em apenas 4 dias, conduzindo defesas e ataques apaixonados de muitas pessoas, cartas essas enviadas a cerca de 600 pessoas que pertencem a diversas listas sediadas na UFRJ, gerando cerca de 24.000 e-mails enviados por nossos servidores de correio, sem contar com aqueles servidores de listas externas às UFRJ. Se o reclamante queria ser ouvido, com certeza o foi.
* Tudo isso para dizer que eu gerei um tráfego de dados imenso aos servidores da UFRJ, além de incomodar a alguns usuários que não tem um interesse aprofundado nesse assunto.Ocorre que o local mais apropriado para se falar sobre isso é justamente as listas de discussão Voxtec e Dosvox. Levei o assunto para outras listas para amplificar, sim, o conhecimento de todos acerca dos meus questionamentos. Minha intenção não era gerar polêmica, mas fazer com que todos caminhassem juntos para uma mesma direção: A evolução do Dosvox. Porém, a polêmica se fez porque não fui muito bem compreendido em meu intento, por alguns usuários, hárduos defensores do professor coordenador do projeto. Se existem as paixões que buscam aevolução, também existem aquelas paixões que acreditam que, qualquer contrariedade ao coordenador, por mais positiva que seja, é ataque pessoal.

- Foram desenvolvidos nestes 16 anos mais de 100 programas para realizar um número enorme de funções, escolhidas num processo interativo de comunicação com a comunidade de usuários, em cartas, palestras, encontros, e muitas outras formas de comunicação, na medida em que o grupo de pessoas cegas atingia novos níveis de aculturação digital. 
* Acredito, sim, que a troca de e-mails, os eventos e os demais canais citados tenham lhe servido como referência. Mas nunca como decisão final. Esta, sim, sempre ficou acargo do coordenador, de maneira SINGULAR. Cheguei a afirmar, em uma dessas 24.000 mensagens que circularam pelas listas, que “o projeto Dosvox não é do Antonio Borges, ele é de todos nós”. Existe a idéia, entre muitos membros da comunidade Dosvox, que o coordenador gere o projeto como se fosse propriedade PARTICULAR DELE. Porém, cometi um equívoco: O Dosvox é um pouquinho dele, sim. Assim como é um pouquinho meu e de cada um dos demais usuários. Ele, Antonio, trabalhou pelo Dosvox e tem uma parcela de atitudes positivas a serem reconhecidas. Só que as decisões dentro do projeto são monocráticas, no sentido de que os usuários só tem voz quando lhe é conveniente.

- (…)todos os recursos para custear o projeto foram cortados, não por falta de mérito, mas por falta absoluta de disponibilidade financeira.
* O projeto Dosvox foi desenvolvido, desde seu início, em código aberto. Vale dizer que qualquer usuário que queira programar e implantar recursos, pode o fazer. Temos, na comunidade, muitos usuários criativos e com imenso conhecimento em programação, capazes de fazer muitas melhorias, se tal lhe fosse permitido de maneira oficial. Ocorre que isso infelizmente não acontece. Embora o pacote seja todo desenvolvido em código aberto, quase nada do que é feito pelos usuários é implantado no projeto. Muitos trocam programas entre si, scripts e melhorias desenvolvidas. Mas no pacote oficial, na página do projeto, não há como fazer download de nenhuma implantação feita pelos usuários. Isso ocorre, na minha opinião, devido a dificuldade que o coordenador do projeto carrega, de aceitar colaborações externas.

- Cumpre-me reafirmar que estranhei muito a escolha desses canais para reclamação, em detrimento aos canais mais diretos de comunicação, usados há muitos anos pelos usuários do sistema. Há diversas listas que tratam do DOSVOX, e o canal de comunicação direta está aberto não apenas para o projeto (através de suas listas), quanto para a comunicação pessoal (o e-mail pessoal de cada membro do grupo é conhecido publicamente) e institucional (através do e-mail do NCE/UFRJ e de sua homepage). 
* isso aqui, o professor Antonio só escreveu para “não ficar mau com a ouvidoria”. Sabemos que as questões de cunho político e questionativo quase nunca são respondidas nas listas ou em particular. Essa carta, mesmo, que estou escrevendo, duvido que terá alguma resposta por parte do professor José Antonio dos Santos Borges. Uma vez sendo ignorado em todas as vezes a que tentei dialogar de maneira direta, e não foram poucas vezes, coube-me apenas o contato de maneira oficial com o respectivo órgão. Aliás, vale lembrar que a ouvidoria da UFRJ existe justamente para isso.

- Melhor suporte à editoração de textos acadêmicos, com geração de transcrição para impressão com qualidade, usando através de interface estilo Object Model o sistema MS Word, com marcação de tags num editor que opera de forma não formatada (Edivox). Esta adaptação foi produzida por um estudante cego (Neno Albernaz) para suportar requisitos de seu mestrado em Informática na UFRJ, publicando, praticamente sem ajuda na editoração, artigos em diversos congressos, incluindo os da Sociedade Brasileira de Computação, que tem alto índice de exigência na questão de formatos técnicos.
* Colocando com essas palavras, parece que realmente temos um “word edivox”, capaz de permitir uma EXCELÊNCIA na formatação de textos através do Dosvox. Porém é impossível, por exemplo, utilizar tabelas. Sem desmerecer o trabalho do Neno, que aliás conta com minha admiração e respeito, esse módulo adaptado para formatação é extremamente limitado. As tabelas são fundamentais em qualquer tipo de documentos formais, mas o “Edivox adaptado” infelizmente prescinde desse recurso.

· Tradutor automatizado entre as línguas português, espanhol, inglês, italiano, francês e alemão. Usando a tecnologia Ajax, dá acesso imediato ao Google Translator, com uma grande velocidade, sendo capaz de traduzir interativamente e sintetizar em voz os resultados das traduções nessas línguas.
* O Google Translator está disponível já há vários anos, porém só agora, há pouquíssimos meses, é lançado o Traduvox. Além disso, o sistema permite a tradução nas seguintes línguas: africâner, albanês, alemão, árabe, bielo-russo, búlgaro, catalão, chinês, coreano Crioulo haitiano, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, estoniano, finlandês, francês galego, galês, grego, hebraico, hindi, holandês, húngaro, indonésio, inglês irlandês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano, macedônico, malaio, maltês norueguês, persa, polonês, português, romeno, russo, sérvio, suaíle, sueco tagalo, tailandês, tcheco, turco, ucraniano, vietnamita, yiddish, mas só as citadas acima estão disponíveis no Traduvox.

- A grande chave da empregabilidade, e principal causa de não aproveitamento de deficientes, e em particular os cegos, é a sua baixa qualificação.
* Aqui a equipe Dosvox afirma que muitos cegos não trabalham porque não são devidamente qualificados, Mensiona textos técnicos sobre o assunto, os quais não pude verificar sua autenticidade. Porém, discordo totalmente desse argumento, por acreditar que tais resultados são obtidos de maneira a satisfazer os interesses de empresários que optam por não contratar os deficientes, dado os autos custos de adaptações a que devem fazer nas empresas. Estou afirmando que, muitas vezes, os resultados de estudos e pesquisas são manipulados afim de atingir um certo objetivo, no caso em tela, a não contratação de pessoas com deficiência. Conheço inúmeras pessoas extremamente qualificadas, com nível superior, inclusive, que ainda não conseguiram sua colocação no mercado de trabalho. Ainda que o argumento acima, de que os cegos não são qualificados, fosse totalmente verdadeiro, não se pode colocar nisso, a culpa da estagnação do Dosvox. Se realmente os cegos não são qualificados, aí sim que o Dosvox deve mesmo evoluir e possibilitar cada vez mais acesso para qualificar-nos. Apenas a título de complementação, existe uma grande briga acerca desse argumento que os cegos não são qualificados, por isso não estão devidamente empregados. Há muitas correntes que defendem essa mentira para não contratar pessoas com deficiência. Rechaço esse raciocínio de maneira veemente e digo que, ainda que a totalidade dos cegos não esteja tão próxima da perfeição profissional, há muitas pessoas de talento que ainda não tiveram sua chance devido a essa idéia preconceituosa.

- (…) as primeiras experiências de emprego de cegos com média escolaridade, em massa, na área de telemarketing foram realizadas através do uso do DOSVOX, na empresa Mobitel, há 8 anos atrás.
* Pois em outras áreas, os cegos já trabalham a muito mais tempo. Já na década de 70, o CERPRO contava com programadores CEGOS, que trabalhavam através do uso de linha Braille. Trabalho esse, que exige muito mais raciocínio do que o telemarketing, diga-se de passagem.

- Em 1998, as alternativas de desenvolvimento para Windows eram duas: a linguagem C ou a linguagem Pascal. A tradução para C, em Windows, era muito mais cara em homens-hora do que o reuso da codificação, usando Borland Pascal, que era razoavelmente compatível com a versão MS-DOS. A própria empresa oferecia um módulo de compatibilização do seu módulo alfanumérico. Desta forma, a tradução para Windows pode ser feita em poucos meses.
* Ou seja, primou-se pela pressa ao invés de primar-se pela qualidade e por um sistema mais eficaz. Já vejo de outra maneira: O Projeto Dosvox tinha de continuar, e isso foi feito da maneira mais rápida e fácil que foi encontrada. Aliás, o Delphi existe desde 1995, informação que pode ser confirmada em http://garotodesktop.blogspot.com/2008/09/anunciado-o-delphi-2009.html, o que demonstra que já em 98 as opções com certeza eram bem mais amplas do que apenas Pascal e C. Ainda assim, mesmo quando da utilização do Delphi, o Dosvox continuou sendo gambiarra. Aliás, devo ressaltar que o Dosvox, ainda hoje, não é desenvolvido em Delphi. O Dosvox é desenvolvido em Pascal, linguagem no mercado desde a década de 80. Apenas utiliza-se um compilador Delphi para gerar os executáveis. Mas a cara do Dosvox é pascal, aliás, é MS-DOS, e toda estruturação é feita em pascal. Delphi é orientado a objetos, enquanto que o Pascal é orientado tão somente a linhas de comandos, maneira a a qual o Dosvox é desenvolvido até hoje.

- Recentemente tivemos um caso destes, em que um aluno iniciou seu projeto de um leitor de telas que viria a substituir o Monitvox, e o abandonou quando conseguiu uma colocação em uma grande empresa.
* Por que é que essas coisas não são informadas aos usuários? Me lembro que esse leitor de telas foi prometido de maneira intensa no evento realizado no ano de 2008 na cidade de Joinville/SC, e quando se perguntava nas listas ou em PVT sobre tal leitor, não havia nenhuma resposta. Por que é que essas informações não foram repassadas? Por que não soubemos do problema de saúde do professor Guilherme, que desenvolveria as atividades em Python? Por que não pudemos saber, também, sobre a desistência desse aluno, que foi para o mercado de trabalho e abandonou o projeto? Por que é que nós, usuários, ou o próprio projeto Dosvox, não pôde continuar o projeto dele, que parecia ser um leitor de telas tão eficaz? Por fim, o que a Micropower tem a ver com tudo isso?

- Realmente o DOSVOX usa uma interface preta com letras brancas. Mas qual o impacto disso para quem é cego ou tem visão reduzida? Apenas para exibir um sistema com aparência gráfica? 
* Não se deve defender, sob nenhuma hipótese, que cego não precisa de estética. Já ocorreu, por exemplo, de um amigo vidente, ao me ver utilizando o Dosvox nessa interface tão limitada, pensar que o meu uso do computador também era extremamente limitado. Na verdade seria, mesmo, se eu usasse apenas o Dosvox. Ocorre que não é por que não podemos ver a tela, que esta deve se apresentar feia e sem acompanhar as evoluções visuais da informática. Isso é um grande equívoco.

- O design universal baseia-se na idéia da não exclusão, não na idéia da equalização. O esforço deve ser na criação de ferramentas que viabilizem a abertura de espaços antes indisponíveis, não no uso de ferramental ou aparência idênticos.
* O desenho universal estabelece regras de padronização de desenvolvimento. Por exemplo, para que serve o “botão iniciar” dentro do Dosvox? A maioria dos sistemas operacionais, hoje, utilizam essa tecla, que pode ser também um botão gráfico na parte inferior da tela, para se comandar o computador. No Dosvox, essa tecla só tem o efeito de tirar o foco de sua janela. Os atalhos totalmente despadronizados são, sim, óbice para que usuários mmigrem do Dosvox para outras realidades, ou usem-nas em simultâneo. Se eu quero usar o Edivox e o Word, por exemplo, preciso saber que no Word, para selecionar todo o texto, devo pressionar CTRL+T, enquanto que no Dosvox, devo ir ao início do texto, precionar CTRL+B para em seguida navegar até o final do texto, pressionar CTRL+B novamente, e depois a letra F.

- Não é do meu feitio deixar de responder ao que quer que seja. Mas em poucos dias, o reclamante resolveu usar o canal oficial para reclamar. Aqui estou, portanto respondendo oficialmente, o que poderia ser objeto de uma interessante e amigável conversa pública. 
* Sabemos que isso não é verdade. Reconheço, sim, que o coordenador do projeto Dosvox responde a todas as dúvidas operacionais. Porém, questões de caráter mais aprofundado acerca de sua atuação, são, sim, ignoradas e sempre foi dessa forma.

- Infelizmente a avaliação do reclamante na primeira parte do curso foi pior do que a da sua namorada, mesmo tendo ela um conhecimento anterior muito menor do que ele sobre o uso do DOSVOX. A reação foi colocar o curso todo sobre questionamento, e levantar também óbices injustos sobre uma pretensa dificuldade de entender a fala de Bia, que é paralisada cerebral, mas com fala bastante compreensível. 
* Nesse quesito, devo informar que a Dora recebeu nota mais alta porque escreveu mais do que eu, em quantidade mesmo, ainda que seu texto tenha ficado excelente. Estive com o trabalho dela antes de ser enviado para a tutora, pois a Dora ainda não detém conhecimentos de Word, motivo pelo qual formatei o trabalho para ela, já que a professora Beatriz havia pedido duas laudas e o Edivox não trabalha com o conceito de páginas. Ocorre que eu não enxi linguiça em meu trabalho. Costumo agir com muita objetividade e nesses trabalhos não foi diferente. Porém, ao invés de pedir para que a Dora fizesse um segundo trabalho para que eu entregasse em meu nome, já que eu não fui capaz de tirar nota máxima igual a dela, resolvi desenvolver individualmente o meu texto e entregar. Em verdade, em nada me preocupa essas notas. O método do curso muito me decepcionou. A professora Beatriz enviou, nos 3 primeiros trabalhos, textos de menos de meia página, para que desenvolvêssemos outros textos de duas, três ou mais laudas. Disponibilizou um sistema de troca de idéias (PII) inacessível com o Dosvox, motivo pelo qual criei a lista de discussão, a pedido inclusive dos colegas cursistas. Eu não quero ter nota menor ou maior do que ninguém e não foi por isso que levantei as questões acerca da comunicação oral da Beatriz. Foi pelo simples fato de que eu e vários outros cursistas (não digo todos, pois não conversei com todos acerca desse assunto) não compreendemos o que ela diz. Por isso, encontramos uma INACESSIBILIDADE nessa questão. Tanto é que, na última aula em áudio transmitida em tempo real, teve apenas 3 ouvintes. Dos 32 cursistas, 3 alunos ouviram a aula em tempo real.

- Bia sofreu e chorou muito com as falas violentas e carregadas de preconceito, que ela nunca havia sofrido nem mesmo quando dava aula para crianças sem deficiência. Ela não podia acreditar que era também uma pessoa deficiente a falar com tamanha desumanidade sobre suas dificuldades de fala. Todos os documentos que demonstram a grosseria do tratamento estão disponíveis, caso seja necessário. Mas Bia hoje prefere calar-se e não se submeter a dialogar com alguém que gratuitamente a ofendeu e humilhou publicamente. 
* Bem, se ela continua tutorando o curso, infelizmente teremos de dialogar, a final de contas continuo sendo seu aluno. Além do mais, é de extrema covardia apelar para reações sentimentais, apenas para fugir de questões colocadas. Peço humildemente para que sejam publicadas (eu já fiz isso) todas as mensagens a que eu me pronuncio sobre a fala da bia. Quero saber onde é que existe humilhação e ofença moral. A fala da Bia, via internet, é prejudicada, assim como eu, cego, no volante seria um desastre. Qual é o problema nisso? Preconceito também é não reconhecer as próprias limitações. E se servir de consolo a Bia, pode dizer a ela que, como a maior parte das pessoas com deficiência, já fui e provavelmente continuarei sendo vítima de preconceito diariamente. Já chorei e provavelmente vou chorar muito por causa disso, a final ainda não superei essa questão internamente. Mas, certamente não me colocarem em público, mesmo que através de outra pessoa, clamando pela pena alheia.

- o instrutor, prof. Guilherme Chagas Rodrigues, que estaria realizando esta tarefa teve um grave problema de saúde, e só retornou ao trabalho ao início deste ano. Por esta razão o treinamento de Python não foi realizado com a comunidade até o presente momento. Entretanto, na semana passada, o NCE realizou um treinamento de Python com analistas do Serpro, nesta linguagem, numa prospecção do futuro trabalho.
* Volto a indagar: Por que não foi oferecida nenhuma satisfação aos usuários que, ansiosos, até se inscreveram pessoalmente no treinamento de Python? Quero lembrar que em São Paulo houve orientação para que os interessados se inscrevessem. Eu e muitos amigos fizemos essa inscrição e sequer soubemos do estado de saúde do professor Rodrigues. Se ele retornou, quais são os projetos agora? Quando será oferecido esse treinamento pela comunidade? O professor Rodrigues está afastado desde o início de 2009, data em que era para iniciar os treinamentos?

-  A empresa (Micropower, grifo nosso) tem uma visão humanística, fornecendo aos deficientes visuais para uso privativo o seu produto, de forma gratuita, cobrando apenas das empresas que façam uso dele. 
* Todos os cegos que já utilizaram o produto da Micropower sabem que isso não é verdade. Para se ter acesso a esse produto, deve-se ter uma conta no Banco Bradesco ou no Banco Real, este último não sei se permanece conveniado. Dessa maneira, apenas no que diz respeito ao Bradesco, é a Fundação Bradesco quem banca as licensas para os clientes Bradesco. Quanto ao Banco Real, desconheço a origem do pagamento das licensas, mas certamente não sai de graça para o banco.

- Temos evitado introduzir no nosso leitor Monitvox as facilidades que tenham sido lançadas recentemente em produto criado pela Micropower, numa atitude ética e cavalheiresca, de respeito à iniciativa privada. 
* Caramba professor, agora quem se surpreende sou eu. Perdoe pelo modo coloquial, mas então o Sr. Assume que TEM EVITADO, efetivamente, implantar no monitvox as facilidades criadas pela Micropower? Esse cavalheirismo o impossibilitou até mesmo de criar suas próprias facilidades de leitura de tela? Esse cavalheirismo vai de encontro e BATE DE FRENTE com a idéia OpenSource do Dosvox, não vai? As facilidades criadas pela Micropower, HenterJoice e outras desenvolvedoras de leitores de tela não são tão recentes assim, professor. O Virtual Vision, produto da Micropower, tem 12 ou 13 anos, pelo que sei. E o Monitvox continua menos funcional que o Vox3, que aliás era excelente… É que não existia Virtual Vision para MS-Dos, né?

Agora, sobre a minha permanência na Lista Voxtec, o que tanto incomodou o coordenador, ele escreve:
- Os fatos falam por si: usou de artifícios questionáveis, geralmente usados apenas por invasores de computadores.
* Primeiramente, minha entrada forçada na lista Voxtec nada tem a ver com invasão de computadores. Essa analogia é puramente falta de melhores argumentos para justificar o meu banimento, atitude TOTALMENTE ANTIDEMOCRÁTICA. Quem condenar as maneiras alternativas a que encontrei para me expressar, também deve condenar a todos aqueles que procuram exercer de maneira livre a sua expressão, o que aliás é garantido em nossa Constituição Federal. Fui banido da lista sem qualquer advertência anterior. Fui banido sem ter cometido qualquer atitude que contrarie as regras da lista. Em suma, fui banido da lista porque questionei a atuação de seu moderador, o que foi uma atitude EXCLUSIVAMENTE PESSOAL da parte dele.

- Não é um inimigo do projeto DOSVOX, mas sim uma pessoa que demonstrou publicamente que quando não consegue ter sua opinião vencedora em alguma querela, não hesita em fazer uso de suas habilidades inatas para discurso e manejo social de sistemas computacionais para atuar atacar a pessoas que se lhe oponham, bem como à autoridade instituída. 
* Qual foi a opinião minha que não venceu? Aliás, qual foi a querela? Bem, primeiramente o coordenador desse projeto declarou, em auto e bom som (ao menos para quem usa sintetizador de voz) na própria lista Voxtec que eu era considerado um INIMIGO do projeto Dosvox, como se o projeto fosse exclusivamente de propriedade dele, José Antonio dos Santos Borges. Agora ele já diz que não sou mais inimigo, apenas uma pessoa que não gosta de ser contrariada. Ocorre que eu não fui contrariado. Apenas coloquei algumas questões a serem respondidas, questões estas que incomodaram, como uma pedra no sapato, este coordenador, que não exitou em me banir da lista e vetar meu DIREITO de expressão.

Sobre a transmissão online do próximo Encontro:
- O projeto DOSVOX, entretanto, reconhece a experiência do reclamante em transmissões de áudio, e portanto, caso a comunidade de usuários do DOSVOX assim o decida, não imporá nenhum óbice à sua participação como parte do grupo que fará a transmissão do evento, caso isso ainda seja de seu interesse. A decisão final, entretanto, será da Organização do próximo Encontro Dosvox, que deve ser realizado em Foz do Iguaçu ou em Cascavel – Paraná.
* Mesmo sabendo que isso incomoda ainda mais o coordenador do Projeto Dosvox, pelo que lamento muito, informo que é de meu interesse, sim, coordenar a transmissão do próximo evento e de  todos os demais que surgirem. Informo também que já tive não só o apoio confirmado da organização do evento, como fui avisado que toda a comissão  organizadora já está siente da minha intenção de realizar esse trabalho. Dessa maneira, se surgir algum óbice, ainda que disfarçado, será, sim,  exclusivamente da coordenação do projeto Dosvox, embora eu acredito que esta coordenação nem tenha legitimidade para isso. Espero, destarte, poder realizar de maneira tranquila esse trabalho, que foi muito bem visto por toda a comunidade, não recebendo nenhuma crítica, inclusive.

- Historicamente, o melhor canal para dar subsídios ao projeto seria a subreitoria de Extensão, mas esta se encontra numa situação de penúria ainda maior.
* Certamente, um grande canal de colaboração seria o trabalho voluntário dos usuários programadores. Mas isso não propicia nenhum benefício direto ao coordenador, pelo que ele prefere continuar apelando para recursos outros, ainda que gotegem.

- O desafio que se põe então é aumentar os recursos financeiros e de pessoal para viabilizar este desejo, que é de grande complexidade.
* O desafio que eu sugiro é que o coordenador procure diminuir, internamente, seus ímpetos de vaidade e aceite todos os recursos oferecidos, não apenas os que o beneficiem diretamente. Natural que o Professor Antonio queira ser reconhecido publicamente pelo seu grande trabalho, mas o encanto e as transformações do projeto Dosvox deveriam estar acima dessa característica.
Finalizando, sei que muitos vão me criticar pelo peso de minhas palavras, porém tudo isso precisava ser dito. Peço perdão aqueles que, clamando pela evolução do Dosvox, preferem percorrer por um caminho mais político e educado. Realmente sou bastante objetivo e não estou visando nenhum benefício pessoal nesse intento questionatório, motivo pelo qual sequer me deixo abalar pelas críticas e agressões recebidas por parte dos hárduos defensores do Coordenador. Aliás, creio que muitas dessas pessoas o fazem por não compreender o real sentido dos meus questionamentos.

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Diniz em 22/03/10

Defender algo a que acreditamos, entregar-nos a uma causa, dar a alma por um ponto de vista, na maioria das vezes, custa-nos o que há de mais precioso: A paz interior.

Aliás, esse é um dos grandes medos que se faz presente na mente dos conformistas: O medo da exposição e suas conseqüências. Defender um ponto de vista significa ser contrário a pontos de vistas alheios. O outro pode ser mais forte, mais eloqüente, mais verbalizado e, por mais equivocado que esteja, pode conseguir ludibriar a maioria e os convencer de que seu posicionamento é o mais adequado.

Ao meu ver, é também por esse motivo que o mundo está repleto de causas perdidas. Me indago como vai ser quando o amor, em seu sentido amplo, se tornar mais uma causa perdida. Sim, pois não quero acreditar que já o seja.

Algumas vezes em que expuz minhas idéias, não fui totalmente compreendido. Outras, fui compreendido de maneira integral e algumas pessoas se utilizaram dessa  compreensão e da própria bagagem pessoal para distorcer minhas afirmativas, transformando tudo em coisas que eu jamais diria ou faria. A soma disso, dá a qualquer atitude positiva, a qualidade de causa perdida.